quinta-feira, 4 de setembro de 2008

A ilusão da política institucional

Até então, este foi um ano muito corrido.

Desde janeiro, atuei no ambiente da política institucional sem ser institucionalmente pertencente a qualquer partido político.

Desde março, iniciei o mestrado em Ciências Sociais na UFRRJ, para pensar a questão do consumo como uma forma de posição política. (?) Esta interrogação fica clara na expressão facial de todas as pessoas para as quais falo isso pela primeira vez. Isso é motivante, pois me mostra que estou diante de um desafio novo, que provoca estranhamento nas pessoas.

Pela experiência que tive nos bastidores da política institucional, e do pouco que acredito conhecer acerca da sociedade (ou das sociedades...), fico muito descrente nas possibilidades de mudança via política institucional, ou democracia representativa.

Venho aqui compartilhar de uma sensação que parece estar ganhando força com a intensidade da globalização, também no Brasil.

Falo da decadência das formas institucionais e tradicionais de se fazer política. Neste meio, coloco os partidos políticos, os sindicatos e até as associações de moradores, entre outros.

No Brasil, isso ainda é apenas uma percepção, uma sensação, mas já pode ser observado com atenção em muitos países europeus, por exemplo.

A questão é que as pessoas estão fartas da política institucional, mas não deixam de serem seres políticos.

Pelo contrário, encontram novas formas de tomada de posição política através de práticas da vida cotidiana, como, por exemplo, a escolha de um produto em detrimento de outro, por conta de seu impacto, mais ou menos, reduzido em relação ao ambiente, num contexto de crise ambiental. Esse é meu novo objeto de desejo...por muito tempo ainda será...

Não são apenas novos nichos de mercado que se colocam para os "gananciosos exploradores", mas escolhas individuais que refletem uma postura política, muitas vezes radical, desorganizada, individualizada.

Ainda é cedo para inferir que a decadência da política tradicional está relacionada, ou seja diretamente causada, com essas novas formas de politização. Mas é claro que no vácuo desta decadência que emergem essas formas de politização da vida cotidiana.

No Brasil, ainda temos o agravante de nossas idéias de democracia, cidadania, sociedade civil, estarem em grande parte, conforme Roberto Schwarz coloca bem, muito deslocadas do imaginário e da vivência histórica da sociedade, que vem de escravidão, lógica do favor, etc.

Neste sentido, a política tradicional dos partidos e sindicatos é cada vez mais apropriada por oportunistas que se colocam como os salvadores da pátria, os gênios que se firmam em três meses de campanha eleitoral e que detonam, na maioria das vezes, a população que os elegeu nos quatro anos seguintes.

E o povo aproveita para tirar proveito do que pode nesta época, pois sabe intuitivamente que nada mudará de forma profunda...que a hora dele ganhar é na eleição.

2 comentários:

Gorete disse...

Precisamos mudar urgente esse pensamento, o povo tem que saber que o poder do voto que tem em sua mão é sua força.O nosso desejo, nosso objetivo será alcançado a partir de nossa cooperação, nossa participação ativa.
Esqueçamos nossos egoísmos e vamos trabalhar a favor de todos.

Marcelo Castañeda disse...

Se fosse fácil, Gorete, eu não estaria pesquisando as novas formas de ação política, individualistas e com base na vida cotidiana.

Não podemos dizer que a política institucional acabou, mas que está decadente sim.

Além do que, particularmente, acredito que o voto é apenas que mais se evidencia, a famosa "ponta do iceberg"...

Esse movimento de cooperação e participação tem que ser constante se queremos mudar...

Bom, é apenas minha opinião, mas legal que tenhas opinado também!